quarta-feira, 6 de junho de 2007

QUEM SÃO OS RAÍSTICOS ?

OS RAÍSTICOS segundo Rato . ( parte 2 )

Continuo na grata e nostálgica tarefa de expor aos leigos leitores as características dos componentes desse grupo que tanta utilidade posta nesse blog .

Paulo Henrique de Paula Pessoa ( Bocão ) :
Dono do mais pleonásmico dos nomes do grupo, também um dos mais antigos do grupo , vindo desde antes da famosa 164 de 1996 .
Ganhou o apelido , assim como ganhei o meu , por motivos absolutamente óbvios , embora haja quem não tenha assunto conosco e nos pare para perguntar o porque . Por falar em meu apelido , esse indivíduo é o responsável . No final dos altos de 1996 , Bocão olhava para minha face e dizia , sem pestanejar " Caralho , parece um rato " . E assim ficou até o presente momento .
Desde muito cedo , Paulo Henrique demonstrava especial interesse nos professores , o que ficava claro com as hilárias caricaturas que fazia deles , a mais célebre , sem dúvida , do memorável professor Bosco , com os espalhafatosos beiços e os olhos esbugalhados de teólogo sempre a espera do Armageddon bíblico . Junto comigo e com o Balão , formávamos uma poderosa tríade de produção de textos idiotas e escrachados , e não contentes , os colocávamos em ação em peças escolares valendo nota desde muito cedo , inclusive , a primeira delas em 1996 , ano em que eu era apenas um novato . Reunidos , escrevemos para a aula de história " A Escolinha do professor Ramón " , onde o personagem título , obviamente um aluno pouco estudioso e vestido com batina de padre satirizava o famoso professor vivido por Chico Anísio . A cada pergunta e meia dúzia de idiotices estúpidas , com as quais divertíamos a turma toda menos a professora , que daria a mais relevante avaliação das que seriam dadas , lançávamos respostas corretas para perguntas corretas no âmbito da história mundial . A performance desse cidadão como João Canabrava é lembrada até hoje , e certamente ainda mais pela professora Fátima . O pior de tudo foi termos nos tornado confiantes nesse feito , querendo repetir para a mesma matéria em 1997 . Lançamos uma sequência de baboseiras inspiradas em Sai de Baixo ( em alta na época ) , com conteúdo que deveria ser de história . Dessa vez , erros de texto ( eu passei três cenas no sofá quando era pra eu ter saído e voltado duas vezes ) , propaganda do Carlinho ( propaganda do excepcional no parque de diversões ao som de Fake Plastic Trees - Radiohead ) e De Costas com Gabi , a professora não aguentou e nos mandou parar antes da hora . Ainda encenamos a história de Maria com um bebê jesus imaginário e performance de parto normal do Zazá ( uma figura das antigas ) na aula de Religião ! Foram anos produtivos que tive ao lado desse elemento .
Já no primeiro ano , em 1999 , na 214 , Bocão não estava mais conosco devido a uma reprovação.
A partir daí teria tantos problemas com as aulas e professores quanto eu mesmo teria a partir de 2000 . Seguiu adiante pelo turno da tarde , enquanto a maioria dos raísticos seguia pela manhã .
Como um aluno , aos olhos de uma escola despreparada , problemático , sofreu diversas críticas e profecias por parte de professores e pedagogos . Quando eu me encontrava em minha época rebelde , uma delas tentou me motivar usando esse cara como mau exemplo , dizendo que se eu seguisse pelo caminho que estava seguindo , seria um nada ou daria em nada como Paulo Henrique . E perguntava-me " Você quer ser como ele ? " . Minha reação de virar as costas sem nada falar a uma professora com atitude tão antiética e odiável falando de um grande amigo meu não foi nada perto do que pensei em responder e , num dos raros momentos em que fiz esse tipo de contenção comigo mesmo , não respondi . Sim , eu gostaria , gostaria de ter tido a criatividade e engenhosidade , e a erudição das palavras de um elemento como Paulo Henrique , que a escola cega em dogmas educacionais não foi capaz de perceber e sequer canalizar para atividades que potencializassem essas características , exceto talvez, o teatro , onde teve uma patrocinadora por um tempo até também essa área sucumbir ante a censura de um senhor autodenominado sábio . No teatro , Paulo Henrique realizou e dirigiu as melhores peças que já vi . A professora , como ele mesmo diz , continua professora . O mundo dá voltas , diria Orelha .

Seu super poder consiste na irreverência com que escreve o mundo em palavras , e por mais que os 43 anos necessários para que saísse do colégio tenham deixado marcas , provavelmente os marcou , os líderes daquele lugar, ainda mais em seu orgulho descarado , meu caro , e tenho orgulho de ter feito parte , ainda que pequena , nessa trajetória .

Carlos Alberto Freire ( Speto ) : Assim como eu , um novato . Junto comigo , com um magrelo chamado Nilo e um elemento cujo dialeto não era possível entender "chamado" Galego , lá estava Speto na sala do irmão Sereno , cabelo levantado para cima que ajudaria , ao lado do fato de ser só o aro , a render seu apelido pouco antes de eu ganhar o meu . Tempos mais tarde , por volta do primeiro ano , na 214 de 1999 , tornamo-nos verdadeiramente amigos de raiz .
E minha fase rebelde , de falar merda e de desafiar professores coincidiu com a insistente companhia deste jovem . Dessa forma , a primeira vez que saí de sala por imposição de professores ( e ironicamente a culpa não era nossa , era do Cícero e do Índio que conversavam logo a frente ) foi com ele . E saímos falando merda e lembrando episódios de Beavis & Butthead, mas o famoso cinismo de Carlos Alberto lhe permitiu parar de rir tão logo encontramos o coordenador , e minha famosa zé bucetice não me deixou ter o mesmo feito , acarretando numa bronca histórica a qual eu ignorava e olhava ao meu lado , e lá estava meu grande amigo rindo da minha cara . A cena de ser mandado para a sala de coordenação em dupla com ele repetia-se com assustadora frequência , mas isso virou rotina , e de rotina virou piada , na fantástica 223 de 2000 . E agora , por se tratar dessa lendária figura , preciso usar das palavras de um típico contador de histórias : No ano de 2000 , no templo 223 que formamos nesse ano , do qual professores como o José Maria chegaram a admitir medo de adentrar para ministrar aulas e taxados de vândalos pela coordenação , estava senhorita Midori a dar aula de matemática . Em determinado momento , resolveu fazer tarefas em duplas . Como nem eu nem Speto tínhamos a mínima noção do que estava se tratando aquilo ( como ocorreu durante todo o ano ) , nos juntamos e começamos a falar merda , pinando material um do outro e do Galego logo a frente e jogando bolas de papel . A professora achou que ali não faríamos nada e nos mandou mudar de lugar , indo a frente . Mudamos e continuamos a putaria . Ela foi lá e nos mandou mudar de lugar novamente , mais a frente . Depois de 3 mudanças e muita gritaria para nos dar bronca , ela olhou para frente e viu que não tinha mais cadeira para mudarmos , tinha apenas a porta de saída . E por lá nos mandou ir embora . Chegando na sala do coordenador , estava presente apenas o ajudante de ajudante do auxiliador do coordenador , ou seja , vocês sabem de quem eu falo , o sósia do Chuck Norris . Ele falava tanta merda , mas tanta merda , e batia na mesa para parecer mais assustador , e eu querendo rir , ao olhar novamente meu amigo ao lado , ele já estava rindo . Ele olha então para Speto e diz : " Tá bom , eu sei , não adianta falar com você não é ? Me dêem suas agendas e vão prá biblioteca " .

Também vivemos outras histórias que a tempo serão contadas aqui , como o dia em que ele caiu e eu pintei minha cara , e nossa entrevista de emprego na escola de inglês .
Importante também frisar que este elemento tem dois super-poderes , a exemplo de Cícero , o cinismo e a capacidade de inventar explicações de última hora . Ele podia apresentar trabalhos de última hora enrolando e pegava boas notas , aliás fez isso na faculdade por várias vezes também . Por algum motivo nunca foi informado que as aulas no La Salle começavam Às 7:30 e como consequência ninguém mais esperava ele no primeiro tempo , todos sabíamos que ele chegaria atrasado , normalmente eu falsificaria a assinatura dos pais deles ( todo dia uma diferente e ninguém nunca percebeu ) e ele entraria escondido entre os tempos para que os professores não vissem . Também somos os elementos do grupo raíz herdeiros do fung fu genético ( não precisamos de treino ) e podíamos todos os dias treinar golpes exorbitantes na parada de ônibus em frente a usuários de meios de transporte coletivo atônitos ao nos olhar , até um dia acertarmos um golpe mais forte e derrubarmos o muro do La Salle .

Foram tempos fantásticos , meu caro , e a cada merda , lembrança , lascada , fossa e comemoraçã , lá estava você comigo . E depois de toda a aula , a putaria , todo mundo se lascar , lá restava eu e você falando merda um para o outro . Um abraço raístico .


Em breve , parte 3 !



Rato .

2 comentários:

Vivi Tavares disse...

Huahauahua, estava me perguntando , se vc iria citar que ele não mudou nada na facul, simplesmente chegava do nada, enrolava pra caralho e ainda tirava dez fdp, huahauahuahua, e o bocão bixooo totalmente tudo o que vc falou, quando ele imitava caco antibes todo mundo pirava, hauhaua, beijusssssssssssssss

Anônimo disse...

Porra, quando o Rato cai, o Speto tá lá, quando o Rato se fode, o Speto tá lá, quando o muro cai, o Speto tá lá!... Caralho, o Speto dá um azar da porra!